O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal (CREA-DF) sediou, nesta sexta-feira (06/03), a reunião do CPR-DF — Comitê Permanente Regional sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção do Distrito Federal. Como parte da programação do encontro, foi realizada uma palestra voltada à prevenção e ao enfrentamento do assédio no ambiente de trabalho, com foco na proteção das mulheres e na construção de ambientes profissionais mais seguros e respeitosos.
O CPR-DF é um espaço de articulação entre entidades representativas, órgãos públicos e instituições ligadas à indústria da construção. O comitê tem como objetivo estudar, planejar, propor e implementar ações voltadas à melhoria das condições e do meio ambiente de trabalho no setor, além de incentivar debates, campanhas de prevenção de acidentes e o aperfeiçoamento contínuo das normas e práticas de segurança na construção civil.
A reunião contou com a participação de Salvador, presidente do STICOMBE Brasília (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário de Brasília e Entorno) e coordenador do CPR-DF em 2026; da eng. Juliana Oliveira, representante do Seconci-DF – Serviço Social da Indústria da Construção do Distrito Federal; de Leonardo Duarte, secretário de Relações Institucionais do CREA-DF; e de Virgílio Pires, auditor fiscal do Trabalho.
Também estiveram presentes representantes de instituições que integram o comitê, como SINTEST, ABRAEST, SECONCI, SENGE, Ministério do Trabalho, CREA-DF e da CIPA do CREA-DF, reforçando o caráter colaborativo e interinstitucional das discussões voltadas à promoção de melhores condições e ambiente de trabalho na indústria da construção.
A palestra sobre assédio foi ministrada pela delegada Dra. Karen Langkammer, da Divisão Integrada de Atendimento à Mulher (DIAM) da Polícia Civil do Distrito Federal. Com sete anos de atuação como delegada, Karen apresentou dados e reflexões importantes sobre a realidade enfrentada por muitas profissionais, inclusive em áreas ainda majoritariamente masculinas, como a construção civil. Durante a palestra, ela destacou que, embora a presença feminina nesses setores ainda represente um percentual pequeno, é fundamental ampliar espaços de informação, diálogo e prevenção.
Segundo a delegada, a Polícia Civil geralmente é acionada apenas após a ocorrência do crime. Por isso, iniciativas como a palestra têm papel essencial na prevenção. “Queremos que o crime não aconteça. A informação e a conscientização são ferramentas importantes para evitar que situações de violência ou assédio se consolidem”, ressaltou.
Dados apresentados durante o encontro mostram que cerca de 30% dos profissionais já sofreram assédio moral, mas apenas 20% dos casos são denunciados. Entre os principais motivos para a subnotificação estão a insegurança das vítimas em relação à apuração dos fatos e o medo.
A delegada também explicou a diferença entre os tipos de assédio. O assédio moral caracteriza-se pela repetição de humilhações, constrangimentos ou ameaças no ambiente de trabalho, enquanto o assédio sexual envolve condutas de conotação sexual manifestadas por palavras, gestos ou contatos físicos sem consentimento.
Outro ponto destacado foi a importância da preservação de provas. A documentação de situações de assédio pode fortalecer a denúncia e oferecer maior proteção às vítimas durante processos de investigação.
Durante a palestra, também foi mencionado o Decreto nº 46.174, de 22 de agosto de 2024, que institui a política de prevenção e enfrentamento ao assédio moral e sexual no âmbito da administração direta e indireta do Distrito Federal, reforçando o compromisso institucional com ambientes de trabalho mais seguros e respeitosos.
A realização da palestra dentro da reunião do CPR-DF reforça a importância do debate sobre saúde, segurança e respeito no ambiente de trabalho, temas centrais para o comitê e fundamentais para o fortalecimento de relações profissionais mais justas e seguras na indústria da construção.




